segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A redução do rosto ôntico

A impossibilidade de redução do rosto ôntico ao ontológico, isto é, a revelação de um ente (outro) que não pode ser reduzido ao ser (mesmo) de uma totalidade constitui o elemento natural para o questionamento cujo a ontologia não é capaz de responder. Põe-se assim em crise todo o sistema ontológico por conta de sua negatividade quanto a presença de mais que um ser dentro de sua totalidade: tudo deveria reduzir-se a ôntica, a entes, cuja dedução é possível a partir do ser, mas o rosto ôntico do outro não é passível 
de dedução. Esta impossibilidade, segundo Dussel, constitui um quarto momento do movimento que agora é ana-dia-lético, ao ponto que exige a substituição da ontologia ante sua insuficiência em atender a continuidade natural deste movimento... Embora seja inicialmente sugerido como um método, o que pode levar à subestimada caracterização como algo meramente formal, a analética na filosofia da libertação garante, com a existência de mais que um sujeito, uma dimensão de práxis ao movimento, posto que o ser não é mais uno na totalidade, mas está em constante relação com outro sujeito, não havendo mais um senhor da situação, do mundo enquanto totalidade (...) Não havendo mais a categoria ontológica, segue em 
sua construção o filósofo da libertação, o nível ôntico não mais se justifica. Será, pois, redimensionado de acordo com o elemento que substituirá a ontologia no fundamento do movimento, constituindo-se assim o derradeiro quinto movimento

PANSARELLI, Daniel. A Filosofia da Libertação e sua Ética. Revista Urutagua n°04, maio2002

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